Treino é o caminho seguro para uma boa redação

Muitos estudantes se prendem a diversas regras na hora de escrever redações para o vestibular mas se esquecem de algo fundamental: a escrita. Leitura, conhecimentos de gramática e de atualidades ajudam muito na hora de redigir um texto, mas só o treino é que faz com que o estudante domine as técnicas para poder expressar suas idéias com precisão.

"Podemos comparar a escrita à habilidade de tocar violão: ninguém diz que é um bom instrumentista sabendo só a teoria musical, é necessário ter a prática", explica o professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, em São Paulo.

A professora Célia Passoni, do cursinho Etapa, em São Paulo, também ressalta a importância do treino para a escrita e diz que não há segredo ou milagre na hora da redação: "Não dá para o estudante achar que vai 'baixar um santo' na hora de escrever. Redação é treino: é preciso exercitar com vontade".

Como estudar redação?

 

Os professores aconselham os estudantes a verificar os temas das redações dos vestibulares dos anos anteriores e as melhores redações dos aprovados: "Os exemplos respondem nossas dúvidas. Eles nos mostram, por exemplo, que não há um padrão para colocar parágrafo, mas também que é impossível haver um texto sem divisões", salienta Lopes. Ele ressalta que a redação serve para avaliar se o candidato tem "maturidade a ponto de mostrar um texto autoral; e não um texto que foi feito 'por acaso'".

Lopes afirma que uma boa redação depende de três fatores: da leitura da proposta, do repertório linguístico e do repertório de conhecimentos do aluno.

Antes de começar a escrever, é preciso primeiro ter clareza de qual é a discussão da proposta e de qual é a tese que o estudantes vai defender. Só assim o texto terá progressão, conceito definido pelas seguintes condições: remissividade (o texto deve remeter a elementos anteriores, sem repeti-los), complementaridade (deve acrescentar informações relevantes) e direcionalidade (todos os elementos do texto devem se dirigir à conclusão).

Para saber como lidar com todos esses pré-requisitos, o vestibulando pode estudar as estratégias adotadas nas melhores redações, propor novas soluções e se expor a diferentes modelos de texto. Lopes acredita que o ideal seria o estudante fazer uma redação por semana e dá-las a um leitor critíco para avaliá-las: "Deve ser alguém que consiga identificar se o texto está de acordo com a proposta, se tem coerência e coesão etc. Não precisa ser um professor, pode ser um colega".

O que é necessário

 

Com o texto em mente, o estudante deve adequá-lo à forma da redação, que pede os seguintes requisitos:

 

  • Título: deve ser centralizado. Pular linha é opcional;
  • Tamanho: cerca de 30 linhas, que podem ser divididas em um parágrafo de introdução, dois ou três de desenvolvimento e um de conclusão;
  • Grafia: o texto deve ser legível;
  • Similaridade: o ideal é que os parágrafos inicial e final tenham o mesmo tamanho;
  • Coesão: é o uso adequado das preposições, conjunções e expressões de ligação que unem um texto. Falta coesão quando as idéias parecem "soltas", sem se relacionar;
  • Coerência: é o conjunto de relações de sentido que unem as partes de um texto. O texto é coerente quando não apresenta partes incompatíveis.

 


Para a professora Célia, o estudo de todas as disciplinas também contribui bastante para uma boa redação: "A redação é interdisciplinar. Candidatos que têm certa abrangência de conhecimentos conseguem, com mais facilidade, embasar seus argumentos com exemplos e citações.

 

Ana Okada e Simone Harnik

 

Veja dicas de estudo e de relaxamento para vestibulandos

O professor de psicologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Paulo Motta, é especialista em atendimento a vestibulandos. Ele atende, diariamente, dezenas de jovens que se preparam para escolher a carreira. O apoio psicológico vem com dicas de relaxamento, de alimentação, o que levar e o que não levar na mala (caso a faculdade seja em outra cidade), como, quando e o quanto estudar. Veja algumas dicas:

 

Estudo

  • Não estude mais do que quatro horas por dia, além do período que você está na escola;
  • Não estude só uma matéria por dia. Estude matemática por 50 minutos, pare por dez e retorne estudando literatura por mais 50 minutos. Pare outros dez minutos e retorne estudando biologia, e por aí vai. Alterne sempre as áreas: exatas, humanas, biológicas;
  • Ambiente claro, silencioso e arejado ajuda nos estudos. Cada um deve encontrar o seu jeito de estudar;
  • Organize o seu dia, programa-se para todos os compromissos e tenha tempo para relaxar e se divertir.

 

Relaxamento

  • Ao receber a prova, respire fundo pelo nariz e solte pela boca (cinco vezes);
  • Faça alongamentos nos braços e pernas;
  • Durante a prova, a cada 50 minutos ou de acordo com a sua necessidade, repita os alongamentos e/ou a respiração;
  • Peça ao fiscal para ir ao banheiro, lave o rosto, espreguice-se como se tivesse acabado de acordar.

 

Alimentação

  • Na hora da prova, leve biscoito, água ou isotônico;
  • Evite comida gordurosa ou cremes brancos;
  • Quanto mais colorido for seu prato, melhor. Vermelho beterraba, verde folhas, branco arroz etc;
  • Na dúvida, não "experimente". Opte por lanchonetes conhecidas, pois os alimentos estão mais frescos;
  • Se você come uma feijoada todos os dia no café da manhã, não é no dia do vestibular que você não vai comer a sua refeição. O que causa alguns desarranjos são as novidades, já que seu organismo não está acostumado.

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